Sou uma pessoa que gosta de comer (isso é nítido) e também de cozinhar. Mas acima de tudo, sou adepto de novidades gastronômicas. Quando vou a restaurantes que não conheço, adoro explorar os cardápios. Em viagens, curto experimentar a culinária local, não aquelas “para turista ver”, mas sim o que os moradores realmente apreciam. Às vezes dá ruim, às vezes nem tanto.
Uma coisa que adoro, e que é praticamente unanimidade aqui na região, é uma boa sopa de Capeletti. Um brodo bem feito, massa no ponto certo e pronto: é partir para o abraço. Se tiver ossobuco ou uma sobrecoxa junto, melhor ainda. Mas toda vez que como Capeletti, se tenho a oportunidade, coloco batata palha. Faz sentido? Para mim, sim. Por dois motivos: batata palha combina com quase tudo e, além disso, carrego memórias afetivas únicas dessa mistura.
Nascido nos anos 80 e criado em Canela, tenho apreço e gratidão por algumas famílias e pessoas. Naquela época, a gurizada vivia mais livre e havia muitos “tios” de coração. A trajetória da família Diehl Forti sempre se cruzou com a da família Selbach. Seja por morarmos na mesma rua, seja por amizades que se fortaleceram ou até por questões profissionais. Em tempos sem redes sociais, morar perto fazia diferença.
Dona Isolda Selbach morava a duas casas do meu pai, seu Décio, que era colega de banco da filha dela, Maria Kátia. Outro filho, Joaquim, era o melhor amigo do meu irmão, Cássio. Eu acabei colega da filha mais velha, Patrícia (ou Preta, para a maioria dos canelenses). O futebol me aproximou de outro filho da “tia Kátia”, o Jair, meu maior parceiro de infância e adolescência. A vida adulta me trouxe ainda ao convívio e amizade dos outros dois irmãos, Marcelo e Bruno. Assim, a vida nos manteve próximos desde sempre.
Passei boa parte da juventude ao lado dessa família e sigo convivendo com todos — uns mais, outros menos. O centro e alicerce dessa turma sempre foi a “tia Kátia”: doce, correta, inteligente e agregadora. No Banco do Brasil, era querida por colegas e clientes. Na vida social, era quem centralizava o convívio da sua grande família e amigos. Kátia Selbach era linda em todos os sentidos: afável, boa de papo e amiga de verdade. Perdi a conta das vezes que me deu carona, ofereceu pouso ou um conselho certeiro. Sempre sem levantar a voz, sempre com doçura e discernimento.
Maria Kátia Selbach foi uma avó encantadora, uma incansável mãe e uma filha amorosa, além de ser uma viajante inveterada. Quem a conheceu sabe da paixão dela por viver. Em tempos de relações superficiais e vídeos de 90 segundos que parecem eternos, estar ao lado dela era entender por que a conversa ao vivo nunca será substituída por aplicativos ou grupos de WhatsApp. A “tia” gostava de histórias reais, de pessoas de verdade e de escrever capítulos novos em um livro de aventuras.
Infelizmente, ela nos deixou na última sexta. E eu me pergunto como serão os Natais e eventos que ela tanto amava. Tenho certeza de que, onde estiver, estará pedindo para todos se reunirem, conversarem, confraternizarem e perceberem que o mundo é muito melhor com pessoas boas como ela por perto. Ela cultivou sementes que, sem dúvida, brotarão em muito carinho, como sempre fez.
Deixo aqui, neste humilde espaço, meu agradecimento por ter vivido bons momentos com ela e sua família. E também por ter aprendido, nas jantas de domingo, a colocar batata palha no Capeletti quando a dona Kátia fazia a sopa. Minha pequena filha vai ouvir essa história, que já contei tantas vezes ao redor de uma boa mesa — uma das melhores formas de estar perto da minha eterna Tia Kátia.
Gramado é Diferente, Realmente
Nos perguntamos como os comerciantes aqui de Canela se viram na entressafra Sonho de Natal e Páscoa. O período de baixa já virou rotineiro para todos que precisam de criatividade e fôlego para se manterem. Mas quando se olha pra Gramado e sua capacidade de saber trabalhar todos os períodos a coisa é muito diferente.
Nesse período tem Vindima, Gramado In Concert e Supercopa Gramado de Futsal. Nichos diferentes mas todos potencialmente trazendo frutos não apenas para a cidade vizinha, mas também para a região. E não é o único vizinho de Canela que se movimenta, o calendário de São Chico em janeiro já consolidou o São Chico Beatles Festival como algo de potencial. Verão não é só praia e temos que aprender como Canela pode colher frutos nessa estação.
As Mudanças na Prefeitura
O Chico trouxe na semana passada informações valiosas sobre chegadas e partidas no seu espaço. Sobre Marcelo Savi no Esporte acredito que seria ótimo. Ele tem vontade, transito no meio e acho que em um pasta que não tem potenciais investimentos pode fazer muito a diferença.
Aliás sobre Marcelo Savi sair do MDB não seria surpresa. Com o tempo fico claro que boa parte do partido jogou o ex-vereador aos leões na sua candidatura a prefeito. Savi foi corajoso ao trocar uma eleição certa para a câmara por um sonho que não era corroborado por grande parcela de pessoas dentro do seu próprio partido. E isso vale para o seu vice, Luciano Melo, que já saiu inclusive do MDB. Melo que aliás também pode aparecer em uma nova composição do atual governo. E digo aqui, seria mais um bom nome.