A crítica pela crítica e o copo meio vazio
Para quem faz da opinião e da informação um ofício — como é o meu caso — a reação de quem não concorda vem no pacote. Isso é do jogo. Por isso, ao longo dos anos de profissão, passei a cuidar para não confundir opinião com crítica pela crítica, feita apenas para cumprir tabela, agradar bolhas ou buscar likes.
O que mais me incomoda nessa prática, na maioria das vezes, não é o tema abordado, mas o propósito. Usar um espaço de um veículo de comunicação para forçar posição política ou, pior, pressionar órgãos públicos em busca de verbas publicitárias, nunca me pareceu um caminho honesto.
Sabemos que esse modus operandi existe desde sempre. E desde sempre me incomodou. Talvez seja a maturidade — ou a velhice, como queiram — que vai deixando a gente mais chato com o passar dos anos.
Quem me conhece e me lê há mais de 20 anos sabe: se for preciso, eu critico. Trago pauta negativa, faço o contraponto e compro a briga. Mas essa mania de ver o copo sempre meio vazio já não me pertence mais.
Savi no PSD e no DMEL
Há quem continue enxergando problemas na saída de Marcelo Savi do MDB e seu ingresso no PSD, justamente no momento em que se junta ao governo Gilberto Cezar para assumir o Departamento Municipal de Esporte e Lazer.
Se há alguém que tenha algo a lamentar nessa história, é o MDB — ou seus simpatizantes. Partidos políticos têm donos, isso todo mundo sabe. Em Canela, o dono do MDB é Constantino Orsolin. E esse controle impede que novas lideranças ganhem projeção. O exemplo mais claro disso atende pelo nome de Luciano Melo.
Essas lideranças acabam, necessariamente, reféns do partido. Vivem à sombra do mandatário.
Foi o caso de Savi, que sacrificou uma eleição praticamente certa — talvez acima dos dois mil votos para vereador — para representar o partido na majoritária. Sua participação foi tão relevante que garantiu cinco cadeiras na Câmara ao MDB.
Agora, busca novos rumos, novos espaços, arejar a cabeça e, principalmente, tirar um alvo das costas. Talvez poucos tenham se dado conta da importância desse detalhe.
No que diz respeito à comunidade esportiva, ela só tem a ganhar com alguém que trabalha muito, tem bom trânsito dentro da Prefeitura, diálogo com diferentes áreas do poder público e capacidade de execução.
No fim, foi bom para todo mundo. Menos para o MDB, claro. Mas, como em todo divórcio, as rupturas raramente acontecem de um dia para o outro. Elas vêm sendo construídas há tempo — e quase sempre alguém poderia ter feito mais para evitar o desfecho, se tivesse percebido antes.
Quem quer um alvo nas costas?
Quanto vale a sua paz?
Quanto vale a sua tranquilidade?
Escrever sobre política nunca é simples. Mexe com paixões que vão além do racional. Quase como escrever sobre futebol em terra grenalizada. Ainda assim, vou tentar.
Um exemplo recente ajuda a ilustrar. A Prefeitura trocou o interventor do Hospital de Caridade de Canela. Não sei se houve desentendimento, se ocorreu algum fato administrativo específico ou se foi apenas uma decisão de gestão. Até onde se sabe, Messias fazia um trabalho sem sobressaltos. Mas houve a troca, e o coronel Chaves assumiu o comando da casa de saúde.
O que chamou atenção? Não houve burburinho. Nenhuma investigação paralela. Nenhuma suspeita lançada ao vento. Nenhum alvo nas costas de quem estava à frente da entidade.
Em outros tempos, todas as desconfianças do mundo teriam vindo à tona. E aqui é preciso ser claro — em tempos de déficit grave de capacidade cognitiva, certas coisas precisam ser explicadas como em aula de interpretação de texto do ensino fundamental: não estou dizendo que quem passou por lá antes estava sempre errado.
O ponto é outro. Sempre houve, em determinados períodos, um clima permanente de suspeição. Um alvo fixo.
Trabalhar em paz, hoje, é saúde. Pode acreditar. Por isso, repito as perguntas que abrem este tópico: quem quer um alvo nas costas? Quanto vale a sua paz? Quanto vale a sua tranquilidade?
Qualquer leitura diferente disso é torcida política. Ou análise feita pelo propósito, não pelos fatos.
E disso, sinceramente, já chega.