O Esporte e o Lazer
Entrevistei o novo diretor de esportes e lazer de Canela, Marcelo Savi, para a Clube. Não vou entrar em detalhes sobre sua decisão de deixar o MDB e ingressar na base do governo junto ao PSD, partido do prefeito Gilberto Cézar.
Savi é uma usina de ideias. Já está mexendo na estrutura da Celulose, busca melhorias no Carlinhos da Vila, fechou parceria com o SESI para torneios de base e planeja realizar um municipal de beach tennis, organizar melhor o vôlei, promover rústicas, campeonatos de artes marciais, xadrez e aproveitar o know-how dos esportistas da região.
Devemos saudar a atitude de Marcelo, mesmo que haja divergências políticas. Ele saiu da zona de conforto para trabalhar com algo que realmente gosta e conhece. Também é importante reconhecer a iniciativa do prefeito Gilberto Cézar em estruturar melhor os espaços esportivos do Parque do Lago, permitindo que a comunidade usufrua ainda mais daquele espaço.
O poder público atua em várias frentes e, naturalmente, investe proporcionalmente mais em áreas como saúde, educação e obras. Mas ainda me constrange o “gritedo” de parte da comunidade com a velha teoria: “não tem dinheiro pra saúde”, “o hospital está precário e vão investir no Lago”, entre outras frases repetidas. Uma coisa não justifica a outra. Pelo contrário: praticar esportes, usufruir de espaços públicos de qualidade e conviver em ambientes esportivos faz bem para a saúde física e mental. É uma forma de oferecer qualidade de vida e bem-estar à população. Que venha, sim, o novo ginásio municipal também.
Sobre a Saúde
Ninguém é ingênuo a ponto de não perceber que a saúde segue muito aquém do necessário, não apenas no município, mas também no estado. A população deveria agradecer ao ex-prefeito Constantino e ao atual Gilberto Cézar por manterem o hospital aberto. Juridicamente não tinham obrigação, mas fizeram o certo.
Está mais do que na hora de passar esse bastão. É preciso encontrar uma entidade séria e interessada em investir na instituição. O déficit mensal, com aportes milionários ao HCC, compromete todos os setores do município. Nem vou entrar no mérito da média de 300 novos cartões SUS emitidos mensalmente — é muita coisa e exige análise aprofundada.
Aliás, você que reclama sempre do hospital sabia que existem diversas UBS que prestam o serviço primário que insiste em buscar no HCC? O hospital deveria ser exceção, mas virou regra, mesmo havendo um Postão de Saúde a poucos passos de distância.
E os Eventos
A prestação de contas do Sonho de Um Natal 2025 mostrou a importância do evento para a cidade, com impacto direto em parques, comércio e serviços. Agora vem 2026, com novos desafios: entregar uma Páscoa mais vibrante, manter o sucesso da Festa Colonial e aquecer ainda mais a temporada de inverno.
O Festival de Bonecos, porém, segue uma incógnita. Fontes me disseram que existem diversas arestas a serem aparadas. Pela forma como é estruturado, seria necessário que uma parceira assumisse a organização, como já ocorreu com a Fundação Cultural. Até o momento, nenhuma instituição aceitou. O prazo está se esgotando e, segundo minha fonte, é improvável que o Bonecos 2026 aconteça. Mas tudo pode mudar.
E a Osvaldo Aranha
É nítido que a Osvaldo Aranha já não tem mais a aura que possuía até o início dos anos 2000. Era arborizada, com comércio diferenciado e casas que transmitiam uma atmosfera de interior na chegada à cidade. Com o tempo, as casas deram lugar a prédios, a estrutura da via ficou defasada e, com o crescimento do entorno da igreja e do Largo Campos de Canella, acabou ficando para trás.
Urge um renascimento. Seja por meio de um projeto arquitetônico que resgate sua essência, seja com atrativos que mantenham o turista por ali, ou até com melhor ocupação das dezenas de salas disponíveis para aluguel. Hoje, a Osvaldo Aranha carece de alma. As boas empresas seguem tentando fazer o seu, mas sozinhas não vão dar conta.
Por que não pensar em um grande caminho cultural que desembocaria na futura e renovada Casa de Pedra, que inclusive terá uma rua coberta nos fundos? Pessoas capazes de fazer nossa cidade avançar não faltam. O que falta é um bom projeto e captação de recursos. É de se pensar.