Unidade será instalada junto à empresa Ambientalplast, no município de Vacaria
A Universidade de Caxias do Sul é parceira de importante projeto de produção de hidrogênio verde no Rio Grande do Sul, contemplado no Edital de Fomento ao Hidrogênio Verde – promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA) e da Casa Civil. Assinado no último domingo, dia 1º de fevereiro, pelo governador Eduardo Leite, o contrato libera o aporte de R$ 30 milhões às empresas Rodoplast e Ambientalplast, sediadas em Vacaria (RS), para as quais a Universidade desenvolverá tecnologias e serviços. Os recursos são do Badesul (Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul).
O projeto contempla a implantação de uma planta pioneira de produção de hidrogênio com diferencial tecnológico de integração direta aos sistemas municipais de gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU), que serão aproveitados como fonte complementar de energia e calor. O processo transforma os resíduos em um Composto Biossintético Industrial (CBSI), que tem propriedades de combustível.
Numa segunda fase, será executado o processo de pirólise para fabricação do óleo, do gás e do char de pirólise (biochar) para obter o hidrogênio, classificado como de baixo carbono e inserido ao programa de fomento do hidrogênio verde. A produção acontece a partir da reforma a vapor do óleo, do gás e do biochar gerado pelo RSU, criando, assim, uma rota de geração de energia renovável, sustentável e inovadora.

O papel da UCS no projeto
A função da Universidade de Caxias do Sul será desempenhada pelo seu Laboratório de Energia e Bioprocessos (LEBio), e envolve desde o licenciamento ambiental da unidade que será instalada na sede da AmbientalPlast até a caracterização do RSU e dos produtos gerados nos próximos dois anos.
Apesar da planta de produção de hidrogênio ter previsão de operacionalizar plenamente em janeiro de 2027, em meados de maio deste ano já estará em funcionamento uma unidade de acondicionamento e homogeneização do resíduo urbano e também a pirólise do Composto Biossintético Industrial (CBSI).
O projeto, em sua totalidade, estabelece uma sinergia entre o setor público, a indústria e a Universidade, ampliando o potencial de inovação e atraindo novos investimentos em tecnologias de baixo carbono no Estado. A aplicação do hidrogênio é diversa, incluindo a descarbonização de setores industriais de difícil eletrificação, geração de energia e como combustível para veículos de transportes pesados. “Apesar de ser muito recente no Brasil, quando ampliar o consumo de hidrogênio de baixo carbono será necessário dispormos de sistemas e processos adequados para o seu fornecimento”, antecipa o professor coordenador do LEBio, Marcelo Godinho. “Desenvolver soluções sustentáveis para a gestão e o tratamento de resíduos tem impacto social relevante, e reflete como a UCS se posiciona enquanto universidade comunitária, contribuindo de forma inovadora, gerando tecnologias para solucionar problemas que afetam todos os municípios”, complementa a pró-reitora de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da UCS, professora Neide Pessin.
Com o apoio do governo do Estado, as três instituições parceiras consolidam seu compromisso como protagonistas na transição energética na região dos Campos de Cima da Serra. “A pesquisa sobre hidrogênio e, principalmente, dos resíduos sólidos já é desenvolvida pela Universidade há alguns anos, alinhada à proposta de inovação e sustentabilidade, uma vez que somos signatários dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS)”, enfatiza o reitor da UCS, Gelson Leonardo Rech.