Iniciativa do Governo do Estado promove inclusão e atende crianças da Apae com TEA e deficiências intelectuais
O município de Canela está entre as cidades contempladas pelo projeto de cinoterapia promovido pelo Governo do Estado, por meio da Polícia Penal. A iniciativa utiliza cães treinados para atuar na Terapia Facilitada por Cães (TFC), estimulando o desenvolvimento emocional, social e motor de crianças atendidas pela Apae.
Além de atuarem em procedimentos operacionais, como detecção de narcóticos, armas e munições e na busca de foragidos, os cães da Polícia Penal também desempenham papel social. Em parceria com as Apaes de Santa Maria e Canela, os canis da 2ª e da 7ª Regiões Penitenciárias realizam atendimentos semanais nas instituições.
As Apaes atendem crianças, adolescentes e adultos com deficiência intelectual, múltipla e Transtorno do Espectro Autista (TEA), oferecendo serviços gratuitos nas áreas de saúde, educação e assistência social. As intervenções com cães utilizam animais treinados para atuar como facilitadores nas atividades terapêuticas.


Na Apae de Canela, o Golden Retriever Stark, que completará dois anos em abril, integra o Canil da 7ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR). O cão foi recebido com quatro meses de idade, por meio de doação de um criadouro de Campo Bom, após projeto apresentado pelo canil da Polícia Penal. Atualmente, Stark participa dos atendimentos de cerca de seis crianças por dia, sempre às quartas-feiras.
Além das atividades na Apae, Stark também integra ações no Grupo de Convivência, interagindo com idosos assistidos pela instituição. Na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Especial Rodolfo Schlieper, localizada ao lado da Apae, o cão terapeuta participa de momentos de interação com as crianças durante o recreio, promovendo socialização e afeto.
De acordo com a psicóloga da Apae de Canela, Thais Reis, o trabalho de cinoterapia contribui para a redução da ansiedade e de comportamentos estereotipados, melhora a interação social e a comunicação, além de diminuir o medo e favorecer a formação de vínculos afetivos. Segundo ela, a presença do animal proporciona experiências emocionais que geram benefícios duradouros.

Para atuar como cão de trabalho ou terapeuta, os animais passam por testes de avaliação comportamental ao chegarem aos canis. Aqueles com perfil mais dócil e paciente, geralmente das raças Golden Retriever e Border Collie, são direcionados para a cinoterapia, por apresentarem facilidade de adaptação a diferentes ambientes e públicos.
O policial penal Juliano Sousa, do Canil da 7ª Região, explica que os primeiros 30 dias do cão no canil são conhecidos como “janela social”. Nesse período, o animal mantém contato com diferentes faixas etárias e convive com outros animais, recebendo estímulos que ajudam a avaliar sua aptidão para o trabalho terapêutico.
Em Santa Maria, o Canil da 2ª DPR desenvolve o projeto Cães com Amor, com a Golden Retriever Galega e o filhote de Border Collie Duti. As atividades são planejadas em conjunto com a equipe multidisciplinar da Apae e possuem objetivos terapêuticos específicos, indo além de visitas recreativas.
Já na 8ª Região, o Border Collie Ragnar participa do projeto Uma História Boa para Cachorro, com atuação em escolas e eventos, especialmente junto a crianças com TEA.
Com a inclusão de Canela no projeto, o município passa a integrar a rede de cidades que utilizam a cinoterapia como ferramenta de inclusão, promovendo acolhimento, desenvolvimento e novas experiências para crianças atendidas pela Apae.
