Canela,

4 de junho de 2026

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Opinião | Francisco Rocha

Quando o poder público abre a porta, a comunidade entra em quadra

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Quadra recebeu pintura com mão de obra voluntária e doação de materiais
Quadra recebeu pintura com mão de obra voluntária e doação de materiais

Quem for ao Ginásio Carlinhos da Vila na próxima segunda-feira (16), quando começa a Série Bronze de Futsal, ou na terça (17), com a abertura do torneio de vôlei, certamente vai se surpreender.

O ginásio mudou.

Desde a última segunda-feira, voluntários se juntaram ao Departamento Municipal de Esporte e Lazer e também a servidores da Secretaria de Obras para realizar uma verdadeira força-tarefa de melhorias no espaço.

Na quadra, houve troca de parquet em pontos danificados, colagem e lixação em outras áreas e pintura completa, incluindo as linhas de demarcação, área de jogo e goleiras. Os bancos de reservas também foram renovados.

Os banheiros do público receberam manutenção e pintura. Arquibancadas passaram por reparos e diversos pequenos problemas foram corrigidos.

Grande parte desse trabalho aconteceu à noite e contou, em sua maioria, com mão de obra voluntária.

O resultado foi uma mudança significativa na imagem do único espaço público capaz de receber as principais competições esportivas de Canela.

É justo destacar algumas contribuições importantes. Os amigos Marcelo e Luciano Debacco, do Outlet das Tintas, ajudaram com a doação de tinta. Algo semelhante já havia acontecido no torneio de vôlei de areia, com apoio de voluntários e material cedido pela Hanel Madeiras Tratadas. Na Celulose, empresários também auxiliaram com refletores, materiais e mão de obra.

Fica aqui o agradecimento deste colunista a todos que se envolveram.

Claro que ainda há muito a melhorar para que Canela tenha a estrutura esportiva ideal. Mas é impossível ignorar o quanto se avançou em apenas dois meses e meio.

Quando o poder público permite e abre espaço para a participação, a comunidade deixa a arquibancada e entra em quadra.

Nesse processo, é justo reconhecer o trabalho da equipe do DMEL, agora liderada por Marcelo Savi, a mudança de visão na condução da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, hoje sob responsabilidade do Tolão, e também a orientação do prefeito Gilberto Cezar.

Até pouco tempo atrás, tudo parecia impossível. Para se ter uma ideia, a Folha chegou a oferecer uma estrutura para transmissões ao vivo que ficaria permanentemente no ginásio. A proposta foi recusada pela gestão anterior.

Enquanto isso, surgiam sempre projetos caros e complexos que dificilmente sairiam do papel — ou que levariam anos para acontecer.

Agora, uma semana de trabalho voluntário, organizada de forma simples e objetiva, resolveu boa parte dos problemas mais urgentes do ginásio.

O esporte, aliás, ensina lições que poderiam inspirar outros setores da administração pública. Mostra que, muitas vezes, o que falta não é recurso, mas disposição para fazer.

Quando a gestão abre espaço e a comunidade participa, nasce algo ainda mais importante: o sentimento de pertencimento.

E quando as pessoas sentem que aquele espaço também é delas, passam a cuidar melhor dele.

Há ali um pouco do esforço e do suor de todos.

No esporte, como na vida pública, boas equipes viram jogos difíceis.

E quando a comunidade entra em quadra, a cidade inteira joga junto.