O que você estava fazendo em março de 2020? E, mais importante: o que fez depois daquilo valeu a pena?
Aqui em Canela, aqueles dias marcaram o início do primeiro decreto de fechamento do comércio e das indústrias. Era só o começo de um longo período de quase dois anos de medo, incertezas, perdas e mudanças profundas impostas pela pandemia de Covid-19.
Parece que foi em outra vida. Mas fazem só seis anos.
Naquela semana, vimos lojas baixando as portas, serviços sendo suspensos, empresários assustados e telefones tocando sem parar. Clientes ligavam para cancelar ou congelar contratos. Nem mesmo as gráficas que imprimiam nosso jornal sabiam se continuariam funcionando.
Nós ainda conseguimos imprimir a edição do dia 19 de março e distribuí-la bem cedo, na manhã do dia 20, antes do decreto. Mal sabíamos que aquela seria a última edição impressa da Folha.
Tomamos, ali, a decisão profissional mais difícil da minha vida: suspender o impresso. Não havia como seguir trabalhando da forma tradicional e, pior, não havia sustentabilidade financeira para insistir numa estrutura que a realidade havia atropelado.
A opção foi concentrar toda a nossa força no digital, onde já trabalhávamos bem em 2020. Não foi uma decisão simples. Nem internamente ela foi unanimidade. Mas, às vezes, liderar é justamente fazer o que precisa ser feito quando ninguém está confortável.
Foi o que fizemos.
Reforçamos nossa presença digital, apostamos ainda mais na notícia rápida e com credibilidade, nos tornamos referência em transmissões ao vivo, mergulhamos no hard news, enfrentamos fake news e ajudamos a provocar uma mudança concreta na forma como a comunicação regional passou a ser feita.
Em meio a todas as dores daqueles dias sombrios, veio também o reconhecimento: fomos contemplados pelo Google, através do Fundo Emergencial para o Jornalismo, o JERF. E, desde então, nunca mais retomamos o impresso.
Hoje, seis anos depois, posso dizer com serenidade: valeu a pena.
Naquele momento, as dúvidas eram enormes. Poderia uma empresa local sobreviver com jornalismo essencialmente digital? Haveria público? Haveria mercado? Haveria fôlego?
A pandemia mudou de vez a forma como as pessoas consomem notícia. A internet deixou de ser apoio e passou a ser estrada principal. E nós entendemos isso antes de muita gente.
Nosso modelo foi, com o tempo, replicado por blogs, páginas e outras empresas de comunicação da região. Em 2025, já havia diversas operações fazendo praticamente o mesmo que a Folha fazia, da mesma forma. Sinal de que estávamos certos. Quem chega antes apanha mais, mas também mostra o caminho.
E, quando o mercado começou a copiar o que havíamos construído, entendemos que era hora de mudar outra vez.
Encerramos a tradicional edição virtual em PDF, que nos acompanhava desde 2018, e concentramos ainda mais energia nos produtos em vídeo, na cobertura em tempo real e na notícia com credibilidade. Em março, mês de aniversário da Folha, iniciamos mais uma fase da nossa história: deixamos de ser apenas um jornal digital para nos consolidarmos como um hub de comunicação regional.
E os números mostram isso com clareza.

Nos últimos 28 dias, foram 1,8 milhão de visualizações no Facebook e 1,2 milhão no Instagram. No portal, a nossa casa própria, o www.portaldafolha.com.br, mantivemos uma média sólida: 44 mil leitores, que consumiram nossas notícias em mais de 98 mil visualizações. Além disso, no mesmo período, nossos conteúdos somaram 247 mil impressões no Google e 6,8 mil cliques vindos da busca, reforçando a força da marca também no ambiente digital próprio.
São números expressivos para um veículo do interior. Mas, sobretudo, são números que confirmam uma escolha.

A decisão mais difícil da minha trajetória profissional também foi a mais importante nos 14 anos de história da Folha. E, olhando hoje para trás, fica claro que não foi apenas um ato de sobrevivência. Foi uma mudança de rota. Uma virada de chave. Um passo ousado que ajudou a reposicionar a empresa e, de certo modo, influenciou a própria comunicação regional.
Nada disso aconteceu por acaso. Houve trabalho, suor, risco, noites mal dormidas, aperto financeiro, insistência e coragem.
Por isso, esta não é apenas uma lembrança de março de 2020. É também um agradecimento.
Obrigado aos nossos leitores, que seguem confiando no nosso trabalho. Obrigado aos parceiros comerciais, que acreditam no valor da comunicação séria e local. Obrigado à nossa equipe, que vestiu essa camisa nas horas mais difíceis e continua ajudando a escrever essa história todos os dias.
E a todos que estão chegando agora, nesta nova fase, o meu muito obrigado pela confiança.
As máquinas pararam lá atrás.
Mas a Folha, não.