“Bonecos Contam Histórias – Jornada do Conhecimento” promove atividades com alunos da rede municipal e valoriza as raízes culturais do município no mês dos Povos Originários
A cultura dos povos originários e a história de Canela estão chegando às escolas do município por meio de uma proposta que une memória, arte e educação. O projeto “Bonecos Contam Histórias – Jornada do Conhecimento” está sendo desenvolvido durante o mês de abril nas escolas Severino Travi, Dante Bertolucci e João Alfredo, com atividades que incluem contação de histórias e oficinas de artesanato conduzidas pela comunidade Kaingang residente em Canela.
A reportagem da Folha acompanhou uma das ações na Escola João Alfredo, onde uma turma de 9º ano participou de oficina ministrada pelo cacique Maurício Salvador, da comunidade Kaingang que vive na Floresta Nacional de Canela (Flona). No momento acompanhado pela reportagem, o líder indígena ensinava aos alunos a confecção de um filtro dos sonhos, em uma atividade marcada pela atenção dos estudantes e pelo contato direto com saberes culturais que, muitas vezes, permanecem distantes da rotina escolar.
A proposta do projeto é justamente reduzir essa distância. Em abril, período em que se celebra o Dia dos Povos Originários, a iniciativa busca promover o reconhecimento e a valorização das raízes históricas do município, reforçando a importância de preservar e registrar uma herança cultural que faz parte da identidade local.
Segundo a proponente do projeto, Daiene Cliquet, a ideia é aproximar os alunos da história de Canela por diferentes linguagens. O trabalho começou com a exibição de um documentário de cerca de 23 minutos, produzido com bonecos, que percorre diferentes momentos e símbolos da trajetória do município, como o Castelo Caracol, a chegada do trem, o Grande Hotel e também a presença indígena. Depois, os estudantes participam de uma oficina de construção de bonecos inspirados no patrono de cada escola. A terceira etapa é voltada à cultura indígena. No segundo semestre, a proposta terá continuidade com atividades ligadas à cultura gaúcha, acessibilidade e inclusão.
Daiene explica que a escolha de inserir a cultura dos povos originários de forma mais profunda no projeto passa também por uma preocupação com autenticidade. Segundo ela, era fundamental que essa parte fosse conduzida por alguém com vivência e lugar de fala. Por isso, o convite foi feito ao cacique Maurício Salvador, permitindo que os próprios estudantes tivessem contato direto com quem carrega essa história e esses saberes.

A experiência, conforme a produtora, tem despertado curiosidade entre os alunos e até entre professores. Durante as oficinas, surgem perguntas, descobertas e conexões com aspectos da própria cidade que muitos estudantes ainda desconheciam — inclusive em relação à presença da comunidade indígena na Flona. É justamente nesse ponto que o projeto ganha força: ao mostrar que a história de Canela vai além do que normalmente aparece de forma mais visível no cotidiano.
Com tema centrado na história de Canela contada por meio dos bonecos — uma linguagem também significativa na trajetória cultural da cidade — o projeto aposta na ludicidade do teatro de bonecos como recurso pedagógico para ampliar o engajamento e a participação dos estudantes. Ao unir audiovisual, criação artística, identidade local e escuta dos povos originários, a iniciativa transforma a sala de aula em espaço de conhecimento vivo.
O projeto “Bonecos Contam Histórias – Jornada do Conhecimento” foi aprovado no Edital de Chamamento Público nº 02/2025. A criação e produção são da Cia. Daiene Cliquet Artes, com apoio da Associação Cultural Criativa Canela, da Associação do Empreendedorismo Feminino da Serra Gaúcha, do Departamento de Cultura e da Prefeitura Municipal de Canela, por meio de recursos provenientes de emendas da Câmara de Vereadores.