Prefeitura afirma que atividade é irregular e diz que providências legais já estão em andamento
Um grupo de indígenas voltou a ocupar, na manhã desta segunda-feira (20), uma área no entorno da Catedral de Pedra, em Canela, reacendendo uma discussão que havia sido temporariamente interrompida desde a chamada Operação Catedral, realizada em agosto do ano passado.
Na ocasião, uma ação conjunta entre a Prefeitura de Canela e órgãos de segurança promoveu a desocupação do passeio público e dos jardins da Igreja Matriz, após fiscalização identificar comércio e outras atividades consideradas irregulares no local. Mercadorias chegaram a ser apreendidas e medidas legais foram adotadas.
Desde então, segundo a Prefeitura, não havia novo registro de ocupação semelhante naquele ponto, apesar de disputas judiciais e de intervenções envolvendo o Ministério Público Federal.
Agora, cerca de oito meses depois, o impasse reaparece. Na manhã desta segunda, três pessoas voltaram a se instalar nos jardins da lateral esquerda da Catedral, com três bancas: uma de chás, uma de artesanato e outra com produtos industrializados. Este último tipo de comercialização é justamente um dos pontos mais questionados por comerciantes e autoridades, por envolver atividade sem autorização no espaço público e gerar reclamações de concorrência irregular em relação aos empreendimentos formalmente estabelecidos no município.
Em entrevista à Folha, o secretário municipal de Segurança, Adriel Buss, afirmou que a ocupação é irregular e que não existe, até o momento, qualquer autorização oficial ou determinação judicial permitindo o retorno da atividade naquele espaço.
“Está totalmente irregular. Já identificamos a atividade e quais indígenas estão no local, porém, nenhuma intervenção sem planejamento será feita”, afirmou Buss.
De acordo com o secretário, os órgãos de fiscalização e de segurança já foram comunicados sobre a nova ocupação e o caso está sendo tratado dentro dos trâmites legais.
“Precisamos agir dentro da legalidade, mas a comunidade pode ficar tranquila que estamos trabalhando, em conjunto, para buscar a melhor solução para o caso”, acrescentou.
O retorno do grupo recoloca no centro do debate um tema delicado para Canela: o uso de um dos principais cartões-postais da cidade, a presença de comércio informal em área pública e os limites entre fiscalização, segurança, direitos e ordenamento urbano. O caso deve voltar a mobilizar o poder público nos próximos dias.
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