Giz, quadro negro e a vontade de transformar vidas. Quando a professora de matemática Gercioni entrou pela primeira vez em uma sala de aula da rede municipal de Canela, há 28 anos, o cenário era bem diferente do atual. Não havia tablets, internet nas escolas ou recursos digitais. Mas o que nunca mudou, e segue o mesmo ao longo de todos esses anos, é o amor pela profissão e a vontade de ensinar.
Ao recordar os primeiros anos de carreira, Gercioni lembra de uma realidade simples, com estruturas modestas e poucos recursos pedagógicos. Em muitas ocasiões, o trabalho dependia apenas de quadro, giz e criatividade. Neste Dia do Trabalhador, homenageamos todos os profissionais através da trajetória desta servidora pública que é memória viva da educação estadual e municipal da cidade de Canela.
O começo
Ao longo da carreira, lecionou nas escolas Santa Terezinha, Severino Travi e Barão do Rio Branco, onde permanece até hoje. A professora também fez parte da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em todos os lugares que passou, destaca que o comprometimento dos alunos e o apoio das famílias é essencial para a o bom funcionamento das instituições. Para ela, o que sustentava o ensino era a parceria: “Havia um grande compromisso dos professores e das famílias. Em todas as escolas, encontrei alunos dedicados e comunidades que valorizavam o trabalho escolar”, comenta.
Conhecida por ensinar uma das disciplinas mais temidas, a Matemática, ela revela que seu método nunca foi apenas sobre fórmulas, mas sobre proximidade. Ao trazer jogos e situações do cotidiano para a sala de aula, ela humanizou os números. “Meu ‘segredo’ sempre foi a paciência e o carinho, mostrando que todos são capazes de aprender, cada um no seu tempo”, explica.
A evolução de Canela aos seus olhos
Ao longo das décadas, ela não viu apenas a cidade crescer em infraestrutura, mas também viu a mudança no perfil dos alunos e das famílias. Entre as maiores alegrias da profissão está a oportunidade de acompanhar gerações de famílias, ensinando filhos de antigos alunos e vendo a continuidade dessa história dentro das salas de aula.
Com o avanço das tecnologias, Gercioni precisou se reinventar. Aprender novas ferramentas e adaptar a forma de ensinar passou a fazer parte da rotina. Mesmo com a chegada das mudanças, a essência do seu trabalho permaneceu intacta. Ela considera que o processo exigiu esforço constante, mas entendeu que acompanhar as tecnologias era necessário para manter a conexão com as novas gerações de estudantes. “Precisei aprender a usar novas ferramentas para continuar conectada com os alunos, mas entendi que a tecnologia deve ser uma aliada, não o fim”, relata.
Um olhar sobre o Futuro
Neste Dia do Trabalhador, Gercioni avalia que a carreira docente teve avanços importantes, principalmente na formação dos profissionais da área da educação, no acesso a materiais e na valorização do conhecimento pedagógico. Ela celebra os avanços, mas mantém o pé no chão sobre os desafios. A professora ressalta a importância da valorização da profissão: “Ainda é necessário investir mais no reconhecimento do trabalho docente e no apoio emocional. Educar exige dedicação diária; o professor precisa ser respeitado pela sociedade.”
Lições para além da sala de aula
Para os milhares de canelenses que aprenderam com ela, a lição final não está nos livros didáticos, Gercioni espera ter deixado ensinamentos ligados aos valores humanos. “Espero que lembrem do carinho e do incentivo. O conhecimento transforma vidas, mas os valores humanos, como honestidade e perseverança, são ainda mais importantes”, explica.
Se pudesse voltar ao primeiro dia de aula e falar com a jovem professora que começava aquela jornada há quase 30 anos, o conselho seria simples e profundo: não ter medo dos desafios e nunca perder a sensibilidade, no final cada esforço valerá a pena quando um aluno acreditar em si mesmo.
Mais do que números e fórmulas, Gercioni deixa uma marca na vida de gerações. Em cada aluno incentivado, em cada dificuldade superada e em cada sonho despertado, permanece o resultado de uma carreira construída com dedicação, sensibilidade e amor pelo que faz. Neste Dia do Trabalhador, sua trajetória mostra que ensinar também é uma das formas mais poderosas de transformar o mundo.