Canela,

16 de junho de 2026

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CARAVAGGIO 2026

ESPECIAL

66ª Romaria de Caravaggio: conheça um pouco da histórias de fé, devoção e tradição em Canela

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Mais antigo evento religioso da Região das Hortênsias, a Romaria e Festa em Honra a Nossa Senhora de Caravaggio reúne comunidade, peregrinos e devotos em uma programação que atravessa gerações e fortalece o caminho para a consolidação do Santuário no Saiqui

A fé que move Canela em direção ao Saiqui não começou ontem. Ela vem de longe, atravessa gerações, famílias, promessas, agradecimentos e passos dados, muitas vezes, em silêncio. Em 2026, a Romaria e Festa em Honra a Nossa Senhora de Caravaggio de Canela chega à sua 66ª edição como o mais antigo evento religioso da Região das Hortênsias e um dos maiores encontros de fé do município.

A partir desta primeira reportagem, a Folha inicia uma cobertura especial dedicada à Romaria de Caravaggio, reunindo história, memória, devoção, fatos marcantes, programação e a cobertura integral do evento. Mais do que registrar datas e horários, a proposta é contar as histórias que fazem da Romaria um patrimônio religioso, cultural e comunitário de Canela.

A origem da devoção em Canela remonta a 1959, quando ocorreu a primeira Romaria de Caravaggio até o Parque do Saiqui. Naquele ano, Ângela Sbardelotto Rigotto, devota de Nossa Senhora de Caravaggio e frequentadora das romarias realizadas em Farroupilha, decidiu, junto com seu marido, doar uma imagem da santa à Paróquia de Canela. A motivação era simples e profundamente comunitária: muitos canelenses também eram devotos, mas nem todos tinham condições de se deslocar até Farroupilha para participar das celebrações.

A doação da imagem abriu caminho para a realização da primeira romaria local. Em 1960, a segunda edição confirmou a força da fé popular e a devoção da comunidade. Já em 1961, a Romaria passou a ser considerada a primeira dentro do calendário turístico e religioso de Canela, consolidando uma tradição que, desde então, nunca deixou de caminhar com o povo.

Romaria de 1967, foto da curva do matadouro
Acervo Adelino dos Santos – Reprodução do Livro Caravaggio em Canela

A organização da festa é feita por devotos da Virgem de Caravaggio, sob coordenação direta da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, a Catedral de Pedra. Ao longo dos anos, a Romaria deixou de ser apenas um deslocamento de fiéis até o Saiqui para se tornar uma das maiores manifestações de fé da cidade, com programação anual em três momentos principais: a Romaria Jovem, a Romaria Motorizada e a Romaria a Pé, esta última realizada no dia 26 de maio, data dedicada a Nossa Senhora de Caravaggio.

O destino dos romeiros também carrega sua própria história. A localidade do Saiqui, situada a leste de Canela, a cerca de seis quilômetros do Centro, pela RS-235, é uma área de grande valor histórico. Segundo registros históricos, já na metade do século XIX a região era conhecida por esse nome, provavelmente em referência ao arroio existente no local. A origem indígena da palavra remete à ideia de “pássaro novo” ou “pássaro verde”, uma referência que liga o território à memória dos primeiros habitantes da região.

Romaria a Pé de 1994, na Rua Júlio de Castilhos
Acervo Jornal de Canela

Mais do que cenário da romaria, o Saiqui é um espaço de identidade. A região guarda vestígios arqueológicos, registros de antigas ocupações indígenas e marcas de uma história anterior à própria formação urbana de Canela. É neste território, onde natureza, memória e espiritualidade se encontram, que a comunidade canelense trabalha para transformar o atual Parque do Saiqui no Santuário de Caravaggio de Canela.

Essa transformação representa mais do que uma obra física. Um parque recebe pessoas, eventos e grandes públicos. Um santuário acolhe peregrinos, orações, promessas, reconciliações, celebrações e agradecimentos. A diferença parece sutil, mas não é. No Saiqui, Canela caminha para consolidar um espaço permanente de devoção, acolhimento e fé, uma realização construída pela comunidade e cada vez mais próxima de se concretizar.

Romaria a Pé de 1994, em frente à Catedral
Acervo Jornal de Canela

A Romaria de Caravaggio de Canela também se conecta a um movimento maior de peregrinação regional, por meio dos Caminhos de Caravaggio, roteiro que une fé, turismo religioso, contemplação e espiritualidade entre Canela e Farroupilha. O projeto fortalece a ligação entre os dois santuários e valoriza uma experiência de caminhada que vai além do deslocamento físico: é percurso de fé, memória e encontro interior.

Nos próximos dias, a Folha vai acompanhar a 66ª Romaria e Festa em Honra a Nossa Senhora de Caravaggio com uma série especial de reportagens. A cobertura trará a programação, os personagens, a história da devoção, a preparação da festa, a movimentação dos romeiros e o significado deste evento para Canela.

Porque algumas tradições não se explicam apenas com datas. Elas se entendem no caminho, no sino, na promessa, no terço na mão e no olhar de quem chega ao Saiqui carregando, junto ao peito, uma fé que atravessa o tempo.

Romaria a Pé de 1994 na Rua João Pessoa
Acervo Jornal de Canela