Canela,

4 de junho de 2026

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CARAVAGGIO 2026

ESPECIAL

Fé e devoção: a caminhada de Paulo Celir com Nossa Senhora de Caravaggio

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Em 1978, as estradas que levavam ao Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Canela, eram muito diferentes das de hoje. Onde hoje existe concreto e uma estrutura monumental, havia mato, mesas de pedra e uma devoção que desafiava a lama e a distância. Foi nesse cenário simples e nessa época que Paulo Celiriniciou uma jornada de fé e devoção a Nossa Senhora de Caravggio, que já soma quase cinco décadas.

Aos 70 anos, completados em abril, Paulo é uma testemunha da evolução do evento. Sua história com a Santa não é feita apenas de pedidos, mas de uma presença constante e braços dispostos a ajudar.

Natural de Jaquirana, ele veio conhecer Canela e pouco tempo depois se mudou definitivamente para o município. Desde então, nunca mais deixou de participar da festa. “Desde 1978 eu vou todos os anos. Já fui a pé, de bicicleta, a cavalo e de carro, mas nunca deixei de ir. Chovendo ou fazendo sol, eu vou”, contou.

Ao longo das décadas, a caminhada até o Santuário de Caravaggio se tornou parte da vida do fiel. Paulo participou de procissões a cavalo, fez o trajeto diversas vezes descalço e também cumpriu promessas pela saúde da família. Uma das lembranças mais marcantes aconteceu quando o filho recém-nascido precisou ficar internado por duas semanas devido a complicações de saúde. “Quando ele saiu do hospital, levei ele nos braços. Foi uma promessa. Graças a Deus deu tudo certo”, relembrou emocionado.

Hoje, o filho, de 33 anos, também mantém a tradição e participa das romarias ao lado do pai.

Fé que Atravessa Gerações

O vínculo de Paulo com a fé começou ainda na infância, incentivado pela mãe, que fazia questão de levar os filhos à missa. Paulo cresceu em uma família de dez irmãos e lembra que frequentar a igreja era compromisso sério dentro de casa. “Minha mãe era muito devota. A fé veio dela. Ela sempre dizia que tinha hora para tudo, mas a missa vinha primeiro”, contou.

A ligação de Paulo com Caravaggio mistura-se com sua trajetória como servidor público. Durante os anos em que trabalhou na prefeitura de Canela, ajudava na montagem da estrutura da festa e colaborou em diferentes frentes do evento. Sua dedicação também passava pela cozinha. Por cerca de 15 anos, ele trabalhou voluntariamente na preparação do tradicional churrasco da festa. “A gente virava a noite espetando carne”, relembra.

Ele descreve com saudade o tempo em que o público se reunia para almoçar sob as árvores, um costume que, segundo ele, mudou com o tempo, embora a procissão em si só tenha crescido. “A procissão cada vez é maior, a evolução foi muito grande.”

Mesmo com o passar dos anos e algumas limitações físicas, Paulo não abre mão da rotina de oração. Para ele, a igreja em Canela está mais ativa do que nunca, especialmente com a chegada dos jovens. “O jovem está voltando para a igreja também. A gente vê a igreja lotada, e isso é muito bom”, observa Paulo, que acredita que o exemplo dentro de casa e o acolhimento da paróquia são fundamentais para afastar a juventude de caminhos perigosos.

Para o veterano, Nossa Senhora de Caravaggio é sinônimo de saúde e milagres, como o que viu acontecer na própria família com a cura de um câncer de sua cunhada. Ao olhar para o futuro santuário que está sendo erguido, ele não vê apenas concreto e pedras, mas a continuidade de uma história que ele ajudou a construir, passo a passo, desde 1978.