Canela,

4 de junho de 2026

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ESPECIAL

Da Itália à Serra Gaúcha: a história de Nossa Senhora de Caravaggio de Canela

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A história de Nossa Senhora de Caravaggio começou há quase seis séculos, em meio a um cenário de sofrimento, guerras e incertezas na Itália. Foi dessa origem marcada pela esperança que nasceu uma devoção que atravessou oceanos, chegou ao Rio Grande do Sul pelas mãos dos imigrantes italianos e, décadas depois, transformou Canela em um dos principais destinos de peregrinação religiosa da Serra Gaúcha.

Segundo a tradição católica, a aparição aconteceu no dia 26 de maio de 1432, na pequena cidade de Caravaggio, localizada na região de Bérgamo, no norte da Itália. A Virgem Maria teria aparecido para Joaneta Varoli, uma jovem camponesa que vivia em sofrimento dentro do casamento e enfrentava dificuldades em um período de conflitos e violência entre cidades italianas.

Com a aparição, a mensagem de fé e paz rapidamente se espalhou pela região, dando origem a uma das devoções marianas mais fortes da Itália. Segundo a tradição católica, no local onde Nossa Senhora apareceu teria surgido uma fonte de água considerada milagrosa, atraindo peregrinos e fortalecendo ainda mais a fé ao longo dos séculos.

O pároco do Santuário de Caravaggio de Canela, Padre Lucimar Macedo, explica que a mensagem da santa sempre esteve ligada ao acolhimento e à paz. “A aparição acontece em um período de conflito, e Nossa Senhora vem com uma promessa de paz para aquela região. Ela surge como uma mãe que olha para o sofrimento do seu povo”, destaca.

A fé trazida pelos imigrantes

A devoção chegou ao Brasil junto aos imigrantes italianos que desembarcaram no Rio Grande do Sul a partir do século XIX. Muitas famílias trouxeram imagens, orações e tradições religiosas como forma de manter viva a ligação com a terra natal.

Com o passar do tempo, Nossa Senhora de Caravaggio tornou-se uma das devoções mais populares entre os descendentes italianos do Estado, especialmente na Serra Gaúcha.

Em Canela, a fé ganhou força no final da década de 1950. Um dos nomes mais lembrados nessa história é o de Ângela Rigotto, moradora da cidade e grande devota da Santa. Ela costumava participar das romarias em Farroupilha, mas as dificuldades de deslocamento fizeram nascer o desejo de criar um espaço de devoção também em Canela.

Em 1960 aconteceu a primeira Romaria e Festa em Honra a Nossa Senhora de Caravaggio de Canela. Pouco depois, foi construída a primeira capela no então Parque Saiqui, área que mais tarde se transformaria no atual Santuário de Caravaggio.

Até hoje, o local guarda símbolos da fé popular. Na pequena capela e nos espaços de oração, romeiros deixam fotos, objetos e homenagens em agradecimento às graças alcançadas.

Primeira imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, trazida por Ângela Rigotto
Foto: Elisa Hengemuhle

Um santuário construído pela comunidade

Ao longo das décadas, o Santuário de Caravaggio cresceu junto com a devoção dos fiéis. O espaço passou a receber melhorias estruturais, novas áreas de acolhimento e celebrações cada vez maiores.

Atualmente, o complexo religioso reúne milhares de pessoas todos os anos durante a festa principal, especialmente no dia 26 de maio, data dedicada à santa. A tradicional caminhada entre a Catedral de Pedra e o Santuário se tornou um dos momentos mais marcantes da programação religiosa de Canela.

Entre os voluntários que acompanham essa história está Lauro, que participa da organização da festa há 24 anos. Para ele, o local vai muito além das celebrações religiosas. “As pessoas não vêm aqui apenas visitar. Cada uma chega com uma história, uma promessa, um agradecimento ou um pedido. Parece que quando a gente chega aqui alguém tira o peso das costas”, conta.

A mensagem que atravessa gerações

Mesmo após séculos desde a aparição na Itália, a mensagem de Nossa Senhora de Caravaggio continua ligada ao acolhimento, à esperança e à fé.

Para o Padre Lucimar, o carinho maternal de Maria segue sendo o principal motivo que leva milhares de pessoas ao santuário todos os anos. “Nossa Senhora conduz as pessoas para Deus. Ela cuida, intercede e acolhe como mãe. Essa é a grande mensagem: recordar o carinho de mãe que chama seus filhos para uma vida de fé”, afirma.

Hoje, Nossa Senhora de Caravaggio segue fazendo parte da identidade religiosa e cultural de Canela. A celebração representa histórias de superação, agradecimento e esperança que continuam sendo renovadas geração após geração.

Foto: Diego Santos/Estrategiacom