2ª Vara Criminal de Canela aceitou a denúncia do Ministério Público, nesta semana
O casal de tutores de Melry Galhardo, menina de 10 anos que morreu após atendimento no Hospital de Canela no último dia 18 de Junho, agora é réu em processo judicial que tramita na 2ª Vara Judicial da Comarca de Canela.
A magistrada Simone Ribeiro Chalela aceitou a denúncia do Ministério Público, nesta semana.
A reportagem da Folha ouviu a promotora de Canela, Ana Maria Hahan Souza, responsável pela acusação. Ela esclareceu que o casal foi denunciado por maus tratos com resultado morte e que novos laudos periciais ainda são aguardados para instruir o processo.
Segundo o Ministério Público, a alteração do enquadramento penal em relação ao indiciamento feito pela Polícia Civil (tortura com resultado morte) não significa diminuição da gravidade do caso. A promotora afirma que o crime de maus-tratos com resultado morte prevê similar ou até maior e admite circunstâncias que podem aumentar a punição, especialmente por se tratar de vítima menor de 14 anos e de agravantes previstas em lei.
A mulher, identificada pelas iniciais B.R.N.P., e o homem, I.M.H., eram padrinhos e detinham a guarda provisória da menina desde dezembro de 2025 e seguem presos preventivamente.
Relembre o caso
Melry Galhardo tinha 10 anos e vivia em Canela sob a guarda provisória do casal de padrinhos desde dezembro de 2025. Na manhã de 18 de junho, ela foi levada em estado grave ao Hospital de Caridade de Canela, onde morreu durante o atendimento.
Diante das lesões encontradas e do relato prestado pela criança aos profissionais de saúde, Brigada Militar e Polícia Civil foram acionadas. Os responsáveis foram conduzidos à delegacia e presos em flagrante. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
A decisão descreve equimoses extensas em joelhos, pernas, glúteos e braços, além de lesões na boca e em regiões íntimas. Também foram constatados hematomas em diferentes estágios de cicatrização e marcas consideradas compatíveis com queimaduras de cigarro.
Segundo a investigação, a diversidade e o estágio das lesões indicam que a criança teria sido submetida a agressões físicas contínuas e prolongadas, além de privação alimentar, abandono material e falta de cuidados com a saúde.
A causa exata da morte e a natureza de todas as lesões ainda dependem da conclusão dos laudos periciais. A investigação foi concluída pela Polícia Civil e o Ministério Público ofereceu denúncia ao Judiciário.