A vereadora Grazi Hoffmann (PDT) encaminhou ao Ministério Público do Rio Grande do Sul um relatório complementar à denúncia sobre as recorrentes falhas no abastecimento de água no Loteamento Maredial, no bairro Santa Marta, em Canela. O documento reúne relatos de moradores, informações obtidas por meio de pesquisa digital, registros de fiscalizações e termos de não conformidade relacionados ao serviço prestado pela Corsan.
O material foi entregue à Promotoria de Justiça de Canela e complementa a denúncia apresentada durante reunião realizada no dia 6 de julho. Na ocasião, a vereadora esteve acompanhada por Mika Gralha, representante dos moradores do Santa Marta, em encontro com a promotora de Justiça Ana Maria Hahn Souza.
Segundo Grazi, o relatório foi elaborado após solicitação do Ministério Público para reunir elementos que comprovassem a frequência e a gravidade dos problemas enfrentados pela comunidade. “Não estamos falando de uma falta de água pontual ou de um problema que surgiu recentemente. Os moradores do Maredial convivem há muito tempo com interrupções e baixa pressão”, afirma a vereadora.
De acordo com o documento, a falta de regularidade no abastecimento interfere diretamente na rotina das famílias, que precisam adaptar tarefas básicas, como cozinhar, tomar banho, lavar roupas e limpar a casa, aos momentos em que a água chega às residências.
Representante dos moradores, Mika Gralha destacou o desgaste da comunidade diante da situação. “A gente só quer ter água em casa todos os dias, como qualquer outra família. O pessoal já está cansado de passar por isso e de esperar por uma solução que não chega.”
Grazi também ressalta que a precariedade do abastecimento afeta principalmente idosos, crianças, pessoas com deficiência e famílias que não possuem condições de instalar reservatórios ou sistemas alternativos de armazenamento. “Quem possui mais recursos consegue criar alguma solução dentro de casa. Quem não tem dinheiro para comprar reservatórios ou instalar equipamentos permanece totalmente dependente de um sistema que não funciona adequadamente. Por isso, esse não é apenas um problema hidráulico. É também uma questão social e de dignidade”, destaca.
Além do Loteamento Maredial, o relatório apresenta registros referentes à Rua do Campo, indicando que os problemas atingem outras áreas do bairro Santa Marta. O gabinete da vereadora também utilizou informações de fiscalizações realizadas pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agesan-RS), que identificaram não conformidades relacionadas aos serviços prestados na região.
Para Grazi, a repetição das reclamações e dos apontamentos técnicos demonstra que o problema permanece sem solução definitiva. “Existem relatos dos moradores, fiscalizações e documentos técnicos confirmando as irregularidades. Mesmo assim, o problema continua. A população ficou presa em um ciclo no qual falta água, o morador reclama, ocorre uma fiscalização, são apontadas não conformidades e, pouco tempo depois, tudo volta a acontecer.”
O relatório também aponta o desânimo de parte da comunidade, que, segundo a vereadora, deixou de registrar novas reclamações por acreditar que as manifestações não resultam em mudanças efetivas. “O silêncio dos moradores não pode ser confundido com a inexistência do problema. Muitas pessoas simplesmente se cansaram de repetir os mesmos relatos, abrir protocolos e esperar por providências que nunca chegam. Quando uma comunidade deixa de reclamar porque não acredita mais que será ouvida, a situação se torna ainda mais grave”, afirma.
O documento foi anexado à denúncia já apresentada ao Ministério Público e deverá subsidiar a apuração sobre a continuidade, a adequação e a eficiência do abastecimento de água no Loteamento Maredial e nas áreas próximas.
Para a vereadora, a expectativa é que a atuação do Ministério Público contribua para uma solução definitiva. “A comunidade não pode continuar sendo obrigada a adaptar sua vida à precariedade. Entregamos esse material ao Ministério Público porque os moradores precisam de uma resposta concreta e de uma solução duradoura. O acesso à água é uma condição básica para saúde, higiene, alimentação e para uma vida minimamente digna”, conclui Grazi Hoffmann.