Canela,

13 de fevereiro de 2026

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Chico

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Francisco Rocha

O desafio da coleta de lixo em Canela

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R$ 2 milhões? Problemas na transição do serviço expõem desafios antigos e mostram como a colaboração da população pode gerar economia milionária ao município

Ontem, a caminho de uma reunião na Coopec, estacionei na Rua Rodolfo Schlieper e fui abordado por uma moradora. Ela recolhia o próprio lixo espalhado na frente de casa. A coleta não passava havia dias. Sacos rasgados por animais, sujeira na calçada e a sensação de abandono.

Infelizmente, não é um caso isolado.

Canela cresceu sem que alguns serviços básicos acompanhassem esse crescimento. A coleta de lixo é um deles — assim como água e esgoto, mas esse assunto fica para outra semana.

A cidade passa por uma mudança importante: nova empresa, novos roteiros e um período inevitável de adaptação. E é justamente essa transição que tem provocado falhas no recolhimento em diversos bairros, especialmente fora do centro.

Conversei longamente com o secretário de Meio Ambiente, Carlos Frozzi, que conhece o tema profundamente e vem tentando reorganizar o sistema. A aposta da Prefeitura é clara: nas próximas semanas, com a empresa ajustada à realidade local e com pedidos já feitos sendo atendidos, o serviço deve entrar nos eixos.

Há ainda um fator que tem confundido moradores: dois roteiros tiveram mudança de dia de recolhimento.

Mas a melhoria do serviço não depende apenas da empresa e da Prefeitura. Depende também do cidadão.

E aqui entra uma pergunta direta: por que separar o lixo?

Sim, por um mundo melhor. Mas também por um motivo muito mais prático: dinheiro.

Até poucos meses atrás, Canela pagava para enviar para aterro, em São Leopoldo, toneladas de material que poderia ser vendido e reaproveitado. Pagava duas vezes: o transporte e a destinação final.

Com o fortalecimento da cooperativa de catadores, esse cenário começou a mudar. A quantidade de resíduos enviada para fora diminuiu e o Município já passou a economizar. Mais do que isso: cerca de 30 famílias que dependiam exclusivamente de programas sociais hoje tiram seu sustento da reciclagem, com renda própria e dignidade.

E o potencial é ainda maior.

Se a separação do lixo seco e orgânico for feita corretamente, a economia anual pode chegar a R$ 2 milhões. Recursos que deixam de ir para o aterro e podem ser investidos em saúde, educação e infraestrutura.

Ou seja: separar o lixo não é apenas um gesto ambiental. É uma decisão econômica.

Todos pagamos pela coleta. Mas, se cada um fizer sua parte, todos ganham: a cidade, o meio ambiente e o bolso do contribuinte.

O novo roteiro da coleta já está disponível. Agora é hora de transformar informação em hábito.

Porque cidade limpa não depende só da Prefeitura. Depende de todos nós.

O novo roteiro completo você confere aqui: