R$ 2 milhões? Problemas na transição do serviço expõem desafios antigos e mostram como a colaboração da população pode gerar economia milionária ao município
Ontem, a caminho de uma reunião na Coopec, estacionei na Rua Rodolfo Schlieper e fui abordado por uma moradora. Ela recolhia o próprio lixo espalhado na frente de casa. A coleta não passava havia dias. Sacos rasgados por animais, sujeira na calçada e a sensação de abandono.
Infelizmente, não é um caso isolado.
Canela cresceu sem que alguns serviços básicos acompanhassem esse crescimento. A coleta de lixo é um deles — assim como água e esgoto, mas esse assunto fica para outra semana.
A cidade passa por uma mudança importante: nova empresa, novos roteiros e um período inevitável de adaptação. E é justamente essa transição que tem provocado falhas no recolhimento em diversos bairros, especialmente fora do centro.
Conversei longamente com o secretário de Meio Ambiente, Carlos Frozzi, que conhece o tema profundamente e vem tentando reorganizar o sistema. A aposta da Prefeitura é clara: nas próximas semanas, com a empresa ajustada à realidade local e com pedidos já feitos sendo atendidos, o serviço deve entrar nos eixos.
Há ainda um fator que tem confundido moradores: dois roteiros tiveram mudança de dia de recolhimento.
Mas a melhoria do serviço não depende apenas da empresa e da Prefeitura. Depende também do cidadão.
E aqui entra uma pergunta direta: por que separar o lixo?
Sim, por um mundo melhor. Mas também por um motivo muito mais prático: dinheiro.
Até poucos meses atrás, Canela pagava para enviar para aterro, em São Leopoldo, toneladas de material que poderia ser vendido e reaproveitado. Pagava duas vezes: o transporte e a destinação final.
Com o fortalecimento da cooperativa de catadores, esse cenário começou a mudar. A quantidade de resíduos enviada para fora diminuiu e o Município já passou a economizar. Mais do que isso: cerca de 30 famílias que dependiam exclusivamente de programas sociais hoje tiram seu sustento da reciclagem, com renda própria e dignidade.
E o potencial é ainda maior.
Se a separação do lixo seco e orgânico for feita corretamente, a economia anual pode chegar a R$ 2 milhões. Recursos que deixam de ir para o aterro e podem ser investidos em saúde, educação e infraestrutura.
Ou seja: separar o lixo não é apenas um gesto ambiental. É uma decisão econômica.
Todos pagamos pela coleta. Mas, se cada um fizer sua parte, todos ganham: a cidade, o meio ambiente e o bolso do contribuinte.
O novo roteiro da coleta já está disponível. Agora é hora de transformar informação em hábito.
Porque cidade limpa não depende só da Prefeitura. Depende de todos nós.
O novo roteiro completo você confere aqui: